Aliança (Nada a ver com um simples anel de ouro)

“Fazer aliança é um ato estritamente pela fé. Se as pessoas fossem fiéis por natureza, os votos não seriam necessários”. O sim seria sim e o não seria não !

Leiamos Gênesis 15:9-18.

E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho.
E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu.
E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava.
E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele.
Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos,
Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza.
E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado.
E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.
E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades.
Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: « tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates.

A palavra “aliança” no hebraico também significa “cortar”. Por isso, quando eu “corto” uma aliança, eu estou dizendo: “Eu dou a minha vida para você e você dá a sua vida para mim, portanto, qualquer um de nós que violar esta aliança, que aconteça a nós o que se deu com estes animais” – conforme texto acima.

O casamento não é a união de dois mundos, mas o ABANDONO de dois mundos a fim de que um novo possa formar-se, portanto, não há casamentos duradouros sem o toque secreto e contínuo da graça de Deus, que se revela ao casal na forma de uma habilidade singular de CUMPRIR um conjunto de promessas altamente improváveis feitas um ao outro, envolvendo qualidades em geral imperceptíveis como AMOR, CONFIANÇA, FIDELIDADE, HONRA...

Analisemos: Como alguém pode se comprometer diante de Deus e de toda uma congregação de que irá cuidar de uma pessoa até que a morte seja o agente separador?
Uma coisa é prometer ir buscar sua namorada no colégio, outra bem diferente é prometer amá-la para o resto da vida em qualquer circustâncias!

PARA O CRISTÃO: Há certo consolo, afinal ele tem a idéia (ou pelo menos deveria ter) de que o casamento foi estabelecido e “inventado” por Deus, portanto, só pode ser vivido com sucesso por meio da infinita misericórdia e amor, e mediante a COMPLETA OBEDIÊNCIA à Sua vontade em cada passo do caminho.

INFELIZMENTE os votos de casamento hoje em dia estão tão populares, que o indivíduo os citam, assim como alguém jura sobre a Bíblia num tribunal.
NÃO nos enganemos: A união de um homem com uma mulher em matrimônio é um evento SOBRENATURAL, fundado sobre a troca mútua de valores santos, entretanto, cumprir um voto(aliança), não significa IMPEDIR  que ela seja quebrada, mas devemos ter consciência de que o preço será altíssimo.
Fazemos a aliança (o voto) de que iremos amar e respeitar. Isso implica dizer que vamos DEDICAR o resto de nossa vida para DESCOBRIR qual o significado do voto e estar disposto a mudar e crescer de acordo com a exigência desse voto.
É a aliança que mantém o homem ou o homem que mantém a aliança?
A pessoa casada é guardada na profunda proteção da aliança feita diante do Senhor.

Muitas pessoas supõem que o casamento é mantido pelo amor que se sente um pelo outro ! MAS, não é. Onde está esse amor, quando alguém inicia um processo de divórcio ?
Observemos que num processo de separação/divórcio, o obstáculo maior é a difícil tarefa de eliminar a aliança. Pode ser uma formalidade num tribunal, mas aos olhos de Deus, não é.
Portanto, a aliança é que VESTE o amor, mantendo a união, portanto, uma coisa muito importante no casamento é que sempre há uma saída, e ela NÃO é a separação/divórcio.
A saída (por pior que as coisas estejam) é colocar TUDO as claras – nosso coração, nossa vida, tal qual o fizemos no momento dos votos, voltando a atitude de total abandono, de lançar ao vento toda e qualquer cautela natural e armas de defesa, colocando-nos INTEIRAMENTE nas mãos do amor por um ato de vontade(atitude) e bondade(abnegação).

UM CONSELHO: Por que não voltar a prática do namoro ?

Não podemos prometer que NÃO seremos volúveis; SÓ Deus pode fazer isso. O casamento é um dos meios terrenos supremos pelos quais Deus capacita homens e mulheres a escolha da eternidade e imitar literalmente sua IMUTABILIDADE e constância, ao adquirir aos poucos a única constância possível nesse mundo decadente – que é a constância do coração, da fidelidade amorosa. AO permitirmos que o Senhor nos ensine por meio do casamento, a fugir de TODA tentação de mudar de parceiros, de  amar outra pessoa, de ficar de novo “solteiro”, de endurecer nosso coração, ou de permitir que nosso amor se esfrie, começamos aqui e agora a provar e a participar das características da eternidade.
Isso só será possível mediante a reivindicação deliberada das promessas do Senhor na forma de uma aliança/voto.

O significado do voto conjugal encontra então se eco mais profundo no conceito Bíblico de aliança, em que uma das partes se une à outra, de modo que a simples manutenção de seu relacionamento torna-se a coisa mais importante e central da vida, a base da qual tudo o mais flui.
O que Deus quer é que amemos um ao outro com um amor devotado que NÃO dependa da felicidade nem de nenhum fator externo de sucesso.
Onde terá início o amor se não começar com quem está perto de nós, o parceiro para a vida a quem escolhemos dentre todas as outras pessoas do mundo como a menina de nossos olhos ?
Se não pudermos amar nossos entes queridos em meio a todos os seus altos e baixos, tentativas e mudanças, como então amaremos os pobres, os indignos de amor e os esquecidos do mundo ?

Finalizando:
Um casamento duradouro é um milagre vivo. Uma prova clara de que o amor pode realmente existir nesse mundo tão desprovido de amor, e não só existir, mas persistir e crescer em todas as oportunidades e mudanças da vida.
Se duas pessoas podem se amar, então o amor está vivo, mais do que todos os sonhos de uma sociedade utópica ou em todas as resoluções de paz de todos os governos e organizações mundiais.
Um casamento de amor é a garantia sólida de que NÃO importa o que acontecer, pelo menos haverá algum amor no mundo, mesmo que seja numa simples casa, com uma vida simples, mesmo que desconsiderado pela sociedade.

Amém!
Deus seja louvado!

Autor: Vilson Ferro Martins
Material de pesquisa:
- Bíblia Sagrada – Ed. Corrigida e Revisada Fiel.
- Dicionário Internacional de Teologia – AT – R. Laird Harris, Gleason L. Archer Jr e Bruce K. Waltke.
- O Mistério do Casamento – Mike Mason.

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