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STIGMA – “marca” – “estigma” – “ferrete”

Stigma se relaciona com o verbo “stizô”, “ferrar” – “marca com instrumento pontiagudo”, e quando se aplica à carne de homens e animais, “ferretear” – “tatuar”.

Percebem-se várias áreas bem definidas de aplicação, pois empregavam-se “stigmata” para marcar o gado e outros animais como proteção contra furto. Os cavalos eram ferrados assim como sinal de propriedade. Quando se aplica “stigmata” ao corpo humano, denotava-se sinal de vergonha pública, apropriado para desertores. Os criminosos eram assim marcados como castigo; e escravos, especialmente sofriam esta penalidade se fugissem, sendo depois de apanhados ou se violara, a lei dalguma outra maneira.

O escravo era chamado de “stigmatias”, “criminoso estigmatizado”, depois de receber esta penalidade e sugere-se que as letras que se empregavam como ferrete nas suas mãos ou no rosto eram: F(UG) para “fugitivus” ou FUR para ladrão. Durante o período imperial, ferreteava-se os escravos com a marca do dono. A marca era usualmente colocada na testa, enquanto os soldados recrutados no exército romano recebiam uma marca de tatuagem, na forma do nome abreviado do imperador, na mão.

Aplicavam-se estigmas, outrossim, como sinal de devoção religiosa aos deuses.

A LXX (AT) tem “stigmata” (no plural) uma só vez, na passagem de Cantares 1:11, “ornamentos (jóias pontiagudas) de ouro”, onde não tem significado para este assunto. Mesmo assim, a idéia por detrás da palavra está presente no AT nas várias ocasiões onde os escravos eram marcados como sinal de pertencerem a alguém (Êxodo 21:6 – Deuteronômio 15:16-17); onde Caim recebeu um sinal de que Javé protegeria sua vida (Gênesis 4:15); onde o remanescente dos israelitas fiéis é marcado com a letra hebraica TAU como símbolo da sua segurança no dia do julgamento (Ezequiel 9:4 – a letra Tau, na escrita antiga, era uma cruz, aspecto este que mais tarde deu vazão à especulações cristãs); e especialmente onde o povo de Deus recebe a ordem de registrar o nome dEle nas mãos, como promessa de fidelidade (Isaías 44:5).

Os estigmas propriamente ditos eram expressamente proibidos em Israel, conforme dispõe Levíticos 19:28. Foi somente nos seus dias de apostasia que Israel tomou emprestada esta praxe das nações gentias (Jeremias 16:6 – 41:5; cf. Jeremias 47:5 – 48:37). O javismo verdadeiro, portanto, fica assim diferenciado das praxes do culto à fertilidade das nações de Canaã (1 Reis 18:28). Pode ser, no entanto, que 1 Reis 20:41 é uma exceção, se o profeta tinha a “marca” de Javé na testa.

Durante o período intertestamental, os judeus eram ferreteados por seus captores e os escravos eram ferreteados para evitar sua fuga. A perseguição dos judeus, levada a efeito pelos helenistas, tomava a forma de imposição à força de símbolos pagãos.

A circuncisão era comumente considerada o antídoto eficaz contra o desejo de ser tatuado, pois, o judeu leal já tinha este sinal da sua participação da raça eleita, não precisando, portanto, de qualquer outra marca religiosa. As marcas no corpo (no sentido figurado) e nos locais de sepultamento, de modo literal, sugerem uma alegação protetora de pertencer a Javé, a respeito daqueles que procuram alívio, mediante a possessão deste sinal, do terror escatológico. O sinal da cruz nos túmulos e ossuários judaicos é um desenvolvimento de Ezequiel 9:4.

A única ocorrência do subs. é em Gálatas 6:17. Há várias possibilidades quanto ao significado, isto é, que Paulo assevera, mediante a referência, sua reivindicação quanto a pertencer ao Senhor Jesus, de que é “escravo” (doulos); que leva consigo um distintivo de proteção que nenhum dos seus inimigos na Galácia pode desprezar impunemente. Os gálatas teriam familiaridade com esta idéia de um mestre religioso estar sob o cuidado dos deuses, sendo, portanto, imune ao ataque; que os “stigmata” são o equivalente cristão da circuncisão judaica, e dão sinal da realização escatológica marcando o novo Israel (Gálatas 6:16), como sendo a verdadeira circuncisão, cf. Filipenses 3:3. Os estigmas porém, não devem ser encarados como sendo símbolos (como se Paulo tivesse tatuado o sinal da cruz ou o nome de Jesus no seu corpo). Pelo contrário, são as cicatrizes e feridas recebidas no decurso do seu serviço missionário em prol das igrejas gentílicas, como apóstolo escatológico (Colossenses 1:24 – Efésios 3:1,13).

BROWN, Colin. “Conversão”, Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento (DITNT), eds. Lothar Coenen, e Colin Brown. São Paulo: Vida Nova, 2000, v.1, p. 1261/1262.

Compilado por Vilson Ferro Martins

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